67 #sexagésimo
sétimo gole
 
Oi queridos,
tudo bem?
 
Deitada na cama, deixei o celular de lado e fiquei conversando aleatoriedades com a minha mãe. A gente é muito boa nisso, em papear desimportâncias que vão desde a pintura da parede até uma receita de caldo verde. E importâncias também. Muitas vezes me pego questionando-a de absurdos da vida e ela se vê, ao meu lado, duvidando da própria fé. A gente discorda, concorda, fica em silêncio esperando os pensamentos se entenderem, para que então venha um novo comentário: já fez ultrassom de mama este ano?
 
Uma boa conversa é livre, você não faz força para interagir. Você senta, serve um café / com açúcar? puro? / como estão as coisas? / tem assistido alguma série? / já fez homus de grão de bico em casa? / tem que tirar a pele do pimentão / como chama aquela planta que você podou? / preciso cortar as unhas / pergunta pra alexa que horas são / tem falado com a carol? / quer provar uva congelada? / já almoçou no árabe que inaugurou? / testou o chatGPT? / será que a próxima geração ainda fará vestibular? 
 
E entre assuntos que se entrelaçam num vaivém, existe intimidade maior que ficar sem dizer, quando só estar junto já é o bastante? É ótimo observar a garrafa de vinho rosé suando lentamente enquanto você compartilha o momento, sem a obrigação de ter de falar sem parar. São situações que a gente só quer estar. E conseguir ficar em silêncio com alguém sem o peso do constrangimento é ganhar na loteria. 
 
Fica aqui do meu lado só pra eu não ficar sozinha. 
Vamos fazer solidão um pro outro. 
 
Sempre ouvi que a gente tem que se relacionar com quem consegue ter uma boa conversa. Taí um requisito difícil. É quase como encaixar um beijo. Não pode ser pouco, não pode ser muito. Os dois tem que estar afim. Dar espaço. Não forçar afinidade. Entender o tempo certo. Saber quando se despedir e abrir espaço para sentir vontade de ver de novo. 
 
É um clique. É uma sorte. 
Pessoas que papeiam descompromissadas sabem dar ouvidos quando a mesa pede seriedade e também entendem quando não dizer é importante. 
 
Veio alguém aí em mente?
 
Fiquem bem <3 
 
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Em especial, você pode gostar do gole 62.
 
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Um beijo,
Volto logo.
 
 
 
Um rascunho perdido
(do filme “O segredo dos seus olhos” )
 
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Clara Vanali

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Sobre
 
Sou jornalista de formação, tenho uma produtora de vídeos como ocupação, mas aqui, nestes goles,  eu apenas escrevo. 
 Prazer, Clara Vanali ;)